Portfolio UX
Acolher.Me
UX Design para ampliar o acesso à saúde mental
Como a pesquisa com usuários ajudou a criar uma solução digital para conectar pessoas de baixa renda a profissionais de psicologia.
UX Research • UX Design • UI Design
Contexto
O Acolher.Me é um projeto de UX Design desenvolvido para investigar como a tecnologia pode facilitar o acesso à saúde mental para pessoas de baixa renda. A partir de pesquisas quantitativas e qualitativas, entrevistas com usuários e profissionais da psicologia, o projeto buscou compreender as principais barreiras encontradas por quem deseja iniciar um acompanhamento psicológico. O resultado foi a criação de uma experiência mobile centrada no usuário, com foco em acessibilidade, confiança e facilidade de agendamento.
Durante a pandemia de COVID-19, o aumento dos níveis de ansiedade, estresse e insegurança emocional ampliou a procura por atendimento psicológico.
Ao mesmo tempo, psicólogos passaram a oferecer atendimentos remotos e iniciativas voluntárias para ampliar o acesso à saúde mental.
Foi nesse cenário que surgiu o Acolher.Me, uma proposta de plataforma digital para conectar pessoas que precisavam de apoio psicológico a profissionais dispostos a oferecer atendimento acessível ou voluntário.
Desk Research
O desafio
Minha hipótese inicial era que muitas pessoas não conseguiam iniciar terapia porque não sabiam onde encontrar profissionais disponíveis.
Antes de propor qualquer solução, organizei as informações disponíveis em uma matriz CSD para identificar quais hipóteses precisavam ser validadas.
Entre elas:
- As pessoas não sabem onde procurar psicólogos.
- Muitas acreditam que terapia é financeiramente inacessível.
- Existe desconhecimento sobre as diferentes abordagens terapêuticas.
- O estigma associado à terapia ainda influencia a busca por atendimento.
O objetivo da pesquisa era compreender quais dessas hipóteses realmente impactavam a jornada dos usuários.
Entendendo o problema
Para validar as hipóteses iniciais, conduzi uma pesquisa em três etapas.
Questionário exploratório
Utilizando redes sociais, recrutei participantes para responder um formulário estruturado a partir das hipóteses levantadas na matriz CSD.
Ao todo, 33 pessoas participaram da pesquisa.
O objetivo era identificar padrões de comportamento, barreiras de acesso e percepções relacionadas ao atendimento psicológico.
Entrevista em profundidade
A partir dos respondentes do questionário, realizei uma entrevista aprofundada com cinco participantes para compreender os fatores emocionais e contextuais por trás das respostas coletadas.
Entrevistas com especialistas
Também entrevistei quatro psicólogos para compreender a perspectiva dos profissionais, seus desafios e expectativas em relação a uma plataforma de conexão com pacientes.
A combinação dessas três fontes permitiu analisar o problema sob a ótica dos usuários e dos especialistas.
A pesquisa revelou três descobertas importantes:
1. O custo era uma barreira real
Muitos usuários desejavam iniciar acompanhamento psicológico, mas não conseguiam arcar com os custos das sessões.
2. Psicólogos queriam ajudar
Diversos profissionais demonstraram interesse em oferecer atendimento voluntário, mas não possuíam uma forma organizada de conectar sua disponibilidade às pessoas que precisavam de ajuda.
3. O maior obstáculo não era encontrar profissionais
Os participantes não entendiam as diferenças entre abordagens terapêuticas e sentiam insegurança na hora de escolher um profissional.
Outros achados da pesquisa
- 82% Acreditam que conversar com um profissional de saúde mental pode ser benéfico
- 58.8% Não conhecem as diferentes abordagens terapêuticas
- 76.5% Não deixaram de fazer terapia em função da opinião de outras pessoas
Das hipóteses às evidências
A pesquisa trouxe descobertas importantes que desafiaram algumas das premissas iniciais.
| Hipótese inicial | O que a pesquisa revelou |
|---|---|
| As pessoas não sabem onde encontrar psicólogos | Conseguem encontrar profissionais, mas sentem insegurança na escolha |
| O principal problema é localizar atendimento | O principal problema é confiar que estão escolhendo o profissional adequado |
| Falta informação sobre terapia | Existe pouco entendimento sobre as diferenças entre as abordagens terapêuticas |
| O custo é uma barreira | O custo aparece como fator relevante para parte dos usuários |
O insight mais importante foi perceber que o desafio não estava apenas na descoberta de profissionais, mas na dificuldade de entender qual profissional seria mais adequado para cada situação.
Essa descoberta mudou completamente a direção da solução.
Oportunidade de Design
A pesquisa mostrou que muitas pessoas não compreendiam as diferenças entre as abordagens terapêuticas.
Sem esse entendimento, o processo de escolha gerava insegurança e dificultava o primeiro contato com a terapia.
A oportunidade identificada foi criar uma experiência que não apenas conectasse pacientes e psicólogos, mas também ajudasse os usuários a tomar decisões mais conscientes durante a escolha do profissional.
Definição da solução
Com base nos insights obtidos, defini três objetivos para o MVP:
Facilitar o acesso a profissionais disponíveis
Permitir que usuários encontrem psicólogos com disponibilidade para atendimento remoto, gratuito ou de baixo custo.
Ajudar na escolha do profissional
Apresentar informações claras sobre especialidades e abordagens terapêuticas.
Simplificar o agendamento
Reduzir atritos durante o processo de marcação da primeira consulta.
Fluxo principal
O fluxo foi estruturado para conduzir o usuário por uma jornada simples:
Encontrar um profissional → Entender sua abordagem → Avaliar compatibilidade → Agendar atendimento
Evolução da solução
Nesta etapa, utilizei esboços iniciais, wireframes e protótipos para explorar diferentes formas de apresentar as informações mais relevantes aos usuários.
A evolução das telas buscou equilibrar clareza, confiança e facilidade de navegação, reduzindo a carga cognitiva durante a escolha de um profissional.
Branding e Linguagem da Solução
A pesquisa não influenciou apenas funcionalidades e fluxos. Ela também transformou a forma como a solução se apresentava aos usuários.
Durante as primeiras etapas do projeto, a plataforma recebeu o nome Mynd. A escolha refletia uma visão inicial mais funcional e tecnológica da solução, focada na conexão entre pacientes e profissionais de saúde mental.
À medida que a pesquisa avançou, surgiram descobertas que mudaram minha percepção sobre o problema. Mais do que encontrar profissionais disponíveis, os usuários demonstravam insegurança, necessidade de orientação e busca por acolhimento durante a escolha de um terapeuta.
Esses aprendizados indicaram que a solução precisava transmitir proximidade, confiança e empatia desde o primeiro contato.
Foi nesse momento que o projeto passou a se chamar Acolher.Me.
A mudança não representou apenas uma troca de nome, mas uma evolução do posicionamento da plataforma. Enquanto Mynd enfatizava um aspecto mais racional e tecnológico, Acolher.Me comunicava de forma mais clara o propósito da experiência: oferecer um ambiente seguro para pessoas que buscavam apoio emocional em um momento de vulnerabilidade.
Essa decisão influenciou diretamente outros elementos da solução, como o tom de voz, a linguagem utilizada na interface e as escolhas visuais, reforçando a ideia de que o produto não era apenas uma ferramenta de conexão, mas um espaço de acolhimento e suporte para quem precisava iniciar a jornada terapêutica.
Impacto da mudança
Antes — Mynd
- Foco em tecnologia e funcionalidade
- Comunicação mais racional
- Menor conexão emocional
Depois — Acolher.Me
- Comunicação mais humana e acolhedora
- Maior alinhamento com as necessidades identificadas na pesquisa
- Reforço da confiança e da proximidade na experiência do usuário
Design da Interface
A construção visual do produto teve como objetivo transmitir acolhimento, confiança e segurança emocional.
As decisões relacionadas à paleta de cores, tipografia e componentes visuais buscaram criar uma experiência amigável e acessível para usuários que poderiam estar em momentos de vulnerabilidade emocional.
[Inserir sistema visual e principais componentes]
Validação
Realizei testes de usabilidade para verificar se os usuários conseguiam concluir as tarefas principais propostas pelo produto.
Os participantes conseguiram localizar profissionais, compreender as informações apresentadas e concluir o processo de agendamento sem auxílio externo.
Os testes ajudaram a validar a clareza da navegação e a efetividade das informações utilizadas para apoiar a escolha do profissional.
Resultado Final
Aprendizados
O principal aprendizado deste projeto foi perceber que hipóteses não substituem pesquisa.
Minha expectativa inicial era resolver um problema de descoberta de profissionais.
A pesquisa revelou que a maior dificuldade estava relacionada à confiança e à compreensão das abordagens terapêuticas.
Essa mudança de perspectiva influenciou diretamente as decisões de design e reforçou a importância de validar premissas antes de construir soluções.
Além disso, o projeto marcou um momento importante da minha trajetória profissional ao consolidar a transição da minha experiência em Design Digital para uma abordagem mais centrada nas necessidades dos usuários.
O que eu faria diferente hoje em 2026?
Ao revisitar este projeto, percebo que a principal oportunidade de evolução estaria no aprofundamento da pesquisa qualitativa.
Embora o questionário exploratório e as entrevistas tenham fornecido insumos valiosos para direcionar a solução, eu ampliaria o número de entrevistas em profundidade para compreender melhor diferentes perfis de usuários e suas jornadas em relação à saúde mental.
Também realizaria novas rodadas de testes de usabilidade após a implementação dos ajustes identificados durante a validação, permitindo avaliar a evolução da experiência de forma contínua.
Do ponto de vista do produto, exploraria funcionalidades que fortalecessem ainda mais a confiança durante a escolha do profissional, como avaliações, depoimentos e mecanismos de orientação para auxiliar usuários sem conhecimento prévio sobre abordagens terapêuticas.
O projeto reforçou a importância de validar hipóteses antes de construir soluções e mostrou como pequenas descobertas de pesquisa podem alterar significativamente a direção de um produto digital.
Ficha técnica
- Projeto: Acolher.Me
- Tipo: Projeto de UX Design
- Duração: 6 meses
- Date: 2021
- Minha atuação: UX Research, UX Design, UI Design e Prototipação
- Ferramentas: Figma, Miro, Google Forms
- Contexto: Projeto desenvolvido como trabalho de conclusão do UX Unicórnio
- Project URL: Link Figma
Meu papel
Conduzi todas as etapas do projeto, desde a investigação do problema até a prototipação da solução.
Atividades realizadas
- Planejamento da pesquisa
- Construção da matriz CSD
- Aplicação de questionário exploratório
- Entrevistas com usuários
- Entrevistas com especialistas
- Síntese dos achados
- Definição de requisitos
- Wireframes
- Prototipação
- Testes de usabilidade
- Design visual da interface